A leitura, às 19:00, no salão nobre, serve de mote à apresentação do projeto "Orpheu 100 - Comemorações do centenário da revista Orpheu", pela historiadora de arte Raquel Henriques da Silva, e do logotipo das celebrações, que foi concebido por um designer do Teatro Nacional..Em declarações à Lusa, Raquel Henriques da Silva disse que a sessão no TNDM visa "motivar uma plataforma através de uma imagem", que será apresentada, "e que pode ser associada às diferentes celebrações, mas que ninguém é obrigado a usar".."Não temos um programa específico, não somos um grupo organizado, não temos meios nem orçamentos, mas vamos ligar-nos e impulsionarmo-nos", disse Raquel Henriques da Silva que rematou: "Na cultura já nos movemos sozinhos".."O Estado quer deixar de existir e portanto a gente funciona sem Estado", declarou Raquel Henriques da Silva, que acrescentou ser já "hábito não haver dinheiro para a Cultura"..A investigadora deu conta de "várias dificuldades" em criar uma comissão para as celebrações do centenário do "Grupo Orpheu" ligado à revista Orpheu, da qual se publicaram apenas dois números, em 1915..A revista foi publicada sob a direção de Luiz de Montalvôr e Ronald de Carvalho, e editada por António Ferro..Do "Grupo" ou "Geração de Orpheu", fizeram parte, entre outros, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Guilherme de Santa-Rita, José de Almada Negreiros e Amadeo de Souza-Cardoso.."Na verdade, não há um programa das celebrações do 'Orpheu 100'. Houve uma ideia que visava não criar uma estrutura formal para as celebrações, mas um conjunto de elos que permitissem agregar iniciativas de diversas áreas sobre o assunto, o que também não foi possível", contou..Referindo-se à apresentação no TNDM, a investigadora disse que "a ideia é sensibilizar instituições culturais para a iniciativa do centenário", que vai de 2014 a 2018, e citou o exemplo da Companhia Nacional de Bailado (CNB).."A Luísa Taveira, diretora da CNB, irá, em 2015, levar à cena o bailado 'A Princesa dos Sapatos de Ferro', que Almada Negreiros apresentou no Teatro de S. Carlos, em 1915", disse a historiadora de arte..No âmbito destas celebrações, no próximo ano, realizar-se-á uma exposição sobre Almada Negreiros na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sob a curadoria de Mariana Pinto dos Santos, adiantou a investigadora..A historiadora afirmou que "há a vontade de, em 2017, se montar no Porto, no Museu Soares dos Reis, e também em Lisboa, no Museu do Chiado, aquela que foi a única exposição que Souza-Cardoso apresentou em Portugal"..Raquel Henriques da Silva sublinhou a importância de "dar a conhecer este, que foi um dos grupos artísticos mais inovadores, mais geniais da cultura portuguesa contemporânea".."Queremos chegar às escolas secundárias, muitos dos meus alunos, com 20 anos, chegam à universidade e não sabem muito bem o que é o Orpheu", desabafou.."Queremos repor esse génio que foi o de uma geração que viveu um período difícil, nomeadamente a I Grande Guerra [1914-18], e em que Lisboa foi um bocadinho Paris".."A provocação, a comunicação e a informação", caracterizaram o grupo que "conflituou com os valores estabelecidos, nomeadamente a sociedade burguesa, habituada ao convencional naturalismo", realçou a investigadora, segundo a qual, muitos que o constituíram "não aceitaram a República", implantada em 1910..A obra "A Confissão de Lúcio", afirma o TNDM, em comunicado, foi "escrita e publicada ao mesmo tempo que 'Dispersão'", livro de poesia de Mário de Sá-Carneiro concluído em 1913, que concilia ingredientes da narrativa fantástica com o clima das vanguardas do primeiro quartel do século XX"..Mário de Sá-Carneiro foi amigo de Fernando Pessoa, com quem manteve correspondência, mesmo depois de partir para Paris, onde se suicidou em abril de 1916, aos 26 anos. Sá-Carneiro escreveu poesia, contos e novelas.